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Cátedra von Martius desenvolve intercâmbio de conhecimentos entre Brasil e Alemanha

Autor: 
Paulo Roberto Andrade

Destinada a desenvolver estudos sobre política, filosofia e cultura alemã, além do intercâmbio de professores e pesquisadores entre Brasil e Alemanha, funciona na FFLCH a Cátedra von Martius de Estudos Alemães e Europeus, coordenada pelo professor e cientista político alemão Rainer Schmidt.

Com formação em filosofia, ciência política e história, o professor Rainer Schmidt é, desde 2009, professor visitante do Departamento de Ciência Política da FFLCH, tendo também publicações sobre constitucionalismo e democracia, Max Weber e diversos temas da história das ideias. Na USP, já ministrou cursos na pós-graduação sobre Jürgen Habermas, pensamento político europeu contemporâneo, além de diversos seminários principalmente sobre política e filosofia alemã.

A Cátedra teve início em 2001, quando o climatógrafo e professor alemão Dieter Anhuf firmou uma parceria entre o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e o Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA) para o desenvolvimento de atividades ligadas à ecologia e para promover o intercâmbios entre Brasil e Alemanha. Por isso, o nome é uma homenagem ao médico e botânico alemão Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868).

Com o tempo, houve dificuldade de encontrar candidatos especificamente para essa área. Foi então que, há cerca de cinco anos, DAAD e USP resolveram redefinir a temática da Cátedra. “Ainda se chamaria von Martius, mas agora estaria vinculada à FFLCH e deveria ter, a cada troca de titular, um professor das ciências humanas ou sociais. Houve assim, uma ruptura entre a época de atuação desse primeiro professor Dieter Anhuf e a segunda fase, da qual participou Dietmar Herz, que era professor de ciências políticas”, relembra Schmidt.

Atualmente, o professor Schmidt e seu grupo, que possui em torno de 10 a 20 colaboradores, se dedicam a duas áreas de atuação: aulas e eventos. “A primeira consiste em ter contato com alunos a partir da apresentação de temas da filosofia alemã e da ciência política europeia, sempre para pós-graduandos. Paralelamente, a segunda consite em organizar congressos, workshops e, a longo prazo, estruturar um curso de estudos alemães e europeus na Universidade”, esclarece.

Intercâmbios Brasil-Alemanha
Outra função da Cátedra é auxiliar alunos e pesquisadores sobre estudos na Alemanha, programas de bolsa e cooperação em pesquisas. “A DAAD realiza anualmente uma seleção de bolsistas encaminhados para a Alemanha. Essa seleção é feita em conjunto com a CNPq e CAPES, na qual são escolhidas aproximadamente 80 pessoas, que farão seu respectivo doutorado, ou parte dele, na Alemanha”, explica o professor.

No caso dos professores, é realizado um processo seletivo do qual participam membros da faculdade e membros do DAAD, costumeiramente realizado na Alemanha. “Os candidatos são professores alemães para o cargo aqui da USP, para intercâmbio por um período de dois anos, prorrogáveis até cinco. Dada essa seleção e aprovado pela faculdade, o professor está apto para desfrutar da vaga”, explica Schmidt.

A Cátedra von Martius é representante, no Brasil, de um programa que a DAAD realiza em todo o mundo, com aproximadamente 10 a 15 cátedras, nas universidades mais destacadas.  “O DAAD permite que o professor alemão, por um certo tempo, represente o estado da arte de uma ciência na Alemanha. É interessante não apenas para o professor, mas também para a universidade, que cria um diálogo com esse docente, nessa determinada área”, destaca o professor.

Os trabalhos da cátedra já renderam a publicação de dois livros: “Memória nas ciências humanas”, organizado com o professor Helmut Galle, do Departamento de Letras Modernas; e “Cidadania e Integração Europeia”, organizado com o professor Thomas Richter, da Faculdade de Direito da USP. “Futuramente faremos um livro sobre constituicão e cortes constitucionais no processo da democratização (em alemão) em uma editora alemã no começo do ano que vem. Essa publicação é o resultado de workshop realizado por nós”, completa o professor.