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Uma Vida pelo Conhecimento: Nelly Novaes Coelho

Autor: 
Juliana Penna

No último dia 26, Nelly Novaes Coelho foi homenageada por seus ex-orientandos e colegas, em razão de seus 90 anos de idade. A professora, mestra e doutoranda da USP, que já havia completado sua nona década de vida no dia 17 do mesmo mês, foi recebida com flores e aplausos pelas cerca de 20 pessoas presentes no evento em sua homenagem que aconteceu no restaurante Terraço Paulista, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. O tributo em formato de almoço passou longe da formalidade e frieza dos eventos acadêmicos tradicionais. “Recebida com muitos aplausos, a querida aniversariante derramou-se em alegria e emoção”, disse a Professora Eliza Guimarães, ex-orientanda da homenageada e presente no almoço.

A professora, que criou em 1980 a primeira cadeira sobre literatura infanto-juvenil na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, iniciou sua vida acadêmica já casada e mãe de um filho. Em 1955, matriculou-se no curso de Letras, sem nunca mais deixar o mundo acadêmico. Depois de formada, passou pela UNESP de Marília, onde assumiu a disciplina de Teoria Literária.

Como ensaísta, teve seu primeiro livro publicado em 1964, Tempo, Solidão e Morte, em que analisa obras literárias e de poesia. Também teve ensaios e artigos literários de sua autoria publicados no jornal O Estado de S. Paulo, do qual foi colaboradora durante uma década (1961-1971).

Tendo em sua bagagem acadêmica graduação e doutorado em Letras, com ênfase em Literatura Portuguesa, pela USP, a professora conquistou mais de uma bolsa para participar de trabalhos acadêmicos e grupos de pesquisa no exterior. Merece destaque sua ida a Portugal como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian. Em terras lusitanas, concluiu uma extensa tese sobre a obra de Aquilino Ribeiro, que resultou em 1973, no livro Jardim das Tormentas: Gênese da ficção de Aquilino Ribeiro. Ainda em Portugal, ofereceu cursos sobre Literatura Portuguesa na Universidade de Lisboa e, alguns anos mais tarde, sobre Literatura e Cultura Brasileira em nível de pós-graduação na Universidade da California, em Los Angeles-EUA, como bolsista da Fulbright Foundation.

Após ter assumido as rédeas do estudo de Literatura Infantil na USP, Nelly Novaes Coelho deu início ao que viria a ser uma série de publicações editoriais sobre o assunto, começando por Literatura Infantil - Teoria, análise, didática (1981), que foi sucedido por Crítico da Literatura Infantil/Juvenil (1983), Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil (1984) e, finalmente, O Conto de Fadas – símbolos, mitos, arquétipos (1987); no qual ela coloca a literatura, seu objeto de pesquisa e lazer, como “antídoto à robotização que retira o homem de sua essência e de sua atuação como ser de linguagem”.

Sua aposentadoria em 1992 não significou de maneira alguma seu afastamento da USP e da vida acadêmica. Na FFLCH, ainda ministra cursos de pósgraduação nas áreas de Literatura Portuguesa e de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa. Também atua como professora convidada e orientadora de estudos científicos. Nos últimos anos engajou-se nos estudos de literatura feminina e de escritoras brasileiras, interesse que deu origem a sua publicação mais recente Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras (2002).

Não somente nove décadas de existência, mas a motivação, o trabalho e as conquistas que marcaram a vida e a existência de Nelly Novaes Coelho, culminam nas palavras talhadas na placa comemorativa presenteada à professora na ocasião de sua homenagem: “comunicadora nata, deixa por onde passa traços de simpatia e de amor ao outro. Semeadora do saber, transmite sólidas lições de cultura e de apreço aos estudos literários. Fez da sala de aula o espaço onde partilhou com os alunos os dons sublimes que lhe marcam o coração e o espírito”.

Fonte: Informe nº68 - maio/junho de 2012